“Vá com calma, filho. Estou com você” falou o pai, sobre os gritos dos torcedores e com a mão no ombro do filho.
O time ganhara, e as escadas estavam enfeitadas pelas cores rubro-negras, mas aquele local não deixava de ser perigoso. Estava tudo escuro e os degraus molhados de cerveja. O menino de apenas seis anos descia as escadas devagar e bem calado, segurando a mão do pai em seu ombro. Tinha o cabelo castanho claro liso e vestia o uniforme oficial do time, um jogador em miniatura. Era um garoto bastante vivo, mas naquele momento entendeu a preocupação do pai sem precisar de explicação.
“Pise com cuidado, tá bom?” perguntou o seu pai.
O menino virou a cabeça e falou sorrindo: “Tá certo, papai.”. Olhou para o chão e prosseguiu em sua descida. Os hinos do time enfestavam a pequena escada e o garoto já conseguia distinguir o fim de um dos lances de escada. Avisou o pai apontando o dedo para o lugar.
“Meu Deus. Filho, vem cá.” falou o pai, antes de levantar o filho, avisá-lo para ter cuidado, coloca-lo nos ombros e descer os últimos degraus daquele lance.
O piso estava totalmente molhado e lamacento, mas o pai se jogara na água, para atravessar. O filho observou tudo aquilo com grande orgulho, vendo a calça de seu pai ficar suja enquanto as outras crianças passavam correndo pela água.
Ao atravessar, o pai colocou o filho no chão e continuaram a descer na escada, agora menos lotada. A mão no ombro do garoto era quente e o confortava, pois sabia que o seu pai estava ali, nem mais ninguém. Chegaram até o final da escada e seguiram em direção ao ônibus que os esperava para leva-los à capital. Muitas pessoas estavam aglomeradas no local de saída e logo o pai andava abraçado ao filho, numa tentativa de proteção. Passaram sem nenhum problema e entraram no ônibus. O filho foi para a janela e, quando o pai sentou, apenas falou:
“Eu te amo, papai”.
Um blog para ler e criticar, para e não se identificar, um blog de contos, textos e histórias.
terça-feira, 6 de março de 2012
sexta-feira, 2 de março de 2012
A Queda do Muro
A pequena casa de madeira tremia ritmicamente, sem nenhuma explicação. Abelardo e Aleixo estavam tentando tomar café, mas os tremores faziam-nos ficar desajeitados. Alfonso, o pai dos dois, estava acendendo a pequena lareira que tinham quando eles começaram. Eram pequenos, de fato, mas faziam o café e a xícara balançarem.
Viviam na Alemanha socialista, dividida pelo Muro de Berlim. A mãe de Abelardo e Aleixo um dia passara por perto do tal muro segurando comida, mas um dos soldados a confundiu com um rebelde e atirou nela. Alfonso tentara ser forte e ainda tentava até hoje. Mas, com as crises econômicas, não vinha tendo uma vida muito boa ali, sempre pensava em como pôde chegar a tal ponto o socialismo. Aleixo bebericou do café.
“O que será?” perguntou Aleixo, em seu alemão de dar inveja, sobre os tremores.
Alfonso foi até a janela para espiar a rua de pedra de sua casa. Nada além de uma fina névoa estava diferente. Um ou dois carros passavam normalmente, mas os tremores continuavam.
“Não sei, vou até a praça, saber o que está acontecendo.” respondeu o pai.
“Vamos com você!” em uníssono, Abelardo e Aleixo se auto convidaram.
Vestiram grossos casacos e saíram para as ruas, todos duvidosos sobre o que encontrariam. Caminharam por pouco tempo, até avistar ruas lotadas de gente que corria para a mesma direção.
“Fim ao socialismo!” gritavam uns, “Liberdade de expressão!” gritavam outros, mas todos gritavam sorrindo, sem exceções. A família alemã ficou parada assistindo enquanto todos aqueles homens e mulheres corriam e corriam para um lugar que Abelardo, Aleixo e Alfonso não tinham a menor ideia. Até que, correndo feito um maluco, Alfonso encontrou um velho amigo, segurou-o pelo braço e perguntou meio tenso:
“Para onde vocês todos estão indo? O que está acontecendo?”.
O homem olhou-o como quem olha um louco.
“Meu velho, estamos indo para a salvação! Conseguimos quebrar o muro! O muro!” gritou e logo reiniciou a corrida, deixando a família pasma.
Alfonso olhou para Abelardo, que retribuiu o olhar e olhou para Aleixo, que olhou para o pai. Depois os três começaram a correr junto com a população, juntos e sorrindo. Um homem no meio de uma rua próxima ao Muro de Berlim estava distribuindo picaretas, pedras grandes e alguns martelos para as pessoas que, após aceitarem, logo foram derrubar o muro. Alfonso pegou uma grande pedra, assim como os filhos. Chegaram ao muro gritando de felicidade e xingando os políticos do socialismo real. Cada um pegou sua pedra e começou a violentar o muro com força. Abelardo escalou o muro e ajudou um ferreiro a fazer um buraco completo no meio daquele que havia dividido dois sistemas. Não haviam defensores ali, só os rebelados. O muro foi caindo, aos poucos, destruído por milhões de moradores enfurecidos com a falta de liberdade no país.
Eles sabiam que estavam mudando o curso da História, mas pouco se importavam. Eles apenas queriam ter liberdade, apenas serem livres. Não queriam mais ser obrigados a ficar calados, nem a ficar sem comida ou salário. Eles batalhariam, mas agora livres, e não dependentes do Governo.
Ao anoitecer, os três homens voltaram para casa segurando um pedaço do que fora o muro, e o quebraram no chão, até ficarem em pó. Viam muitos repórteres entrevistando algum morador ou moradora e todos sorrindo pulando.
Alfonso voltara para casa, sabendo que sua vida iria mudar, mas mudar para melhor. Iria com os filhos o quanto antes para a parte capitalista da Alemanha, fugir daquilo, apenas fugir. Ele não seria explorado novamente e viveriam, talvez, uma vida digna e justa. Ele iria poderia trabalhar para se sustentar, poderia ter um pouco de descanso em relação a crises. Enfim, poderia muito.
Mas, o melhor de tudo, era que agora, não estaria mais calado.
Viviam na Alemanha socialista, dividida pelo Muro de Berlim. A mãe de Abelardo e Aleixo um dia passara por perto do tal muro segurando comida, mas um dos soldados a confundiu com um rebelde e atirou nela. Alfonso tentara ser forte e ainda tentava até hoje. Mas, com as crises econômicas, não vinha tendo uma vida muito boa ali, sempre pensava em como pôde chegar a tal ponto o socialismo. Aleixo bebericou do café.
“O que será?” perguntou Aleixo, em seu alemão de dar inveja, sobre os tremores.
Alfonso foi até a janela para espiar a rua de pedra de sua casa. Nada além de uma fina névoa estava diferente. Um ou dois carros passavam normalmente, mas os tremores continuavam.
“Não sei, vou até a praça, saber o que está acontecendo.” respondeu o pai.
“Vamos com você!” em uníssono, Abelardo e Aleixo se auto convidaram.
Vestiram grossos casacos e saíram para as ruas, todos duvidosos sobre o que encontrariam. Caminharam por pouco tempo, até avistar ruas lotadas de gente que corria para a mesma direção.
“Fim ao socialismo!” gritavam uns, “Liberdade de expressão!” gritavam outros, mas todos gritavam sorrindo, sem exceções. A família alemã ficou parada assistindo enquanto todos aqueles homens e mulheres corriam e corriam para um lugar que Abelardo, Aleixo e Alfonso não tinham a menor ideia. Até que, correndo feito um maluco, Alfonso encontrou um velho amigo, segurou-o pelo braço e perguntou meio tenso:
“Para onde vocês todos estão indo? O que está acontecendo?”.
O homem olhou-o como quem olha um louco.
“Meu velho, estamos indo para a salvação! Conseguimos quebrar o muro! O muro!” gritou e logo reiniciou a corrida, deixando a família pasma.
Alfonso olhou para Abelardo, que retribuiu o olhar e olhou para Aleixo, que olhou para o pai. Depois os três começaram a correr junto com a população, juntos e sorrindo. Um homem no meio de uma rua próxima ao Muro de Berlim estava distribuindo picaretas, pedras grandes e alguns martelos para as pessoas que, após aceitarem, logo foram derrubar o muro. Alfonso pegou uma grande pedra, assim como os filhos. Chegaram ao muro gritando de felicidade e xingando os políticos do socialismo real. Cada um pegou sua pedra e começou a violentar o muro com força. Abelardo escalou o muro e ajudou um ferreiro a fazer um buraco completo no meio daquele que havia dividido dois sistemas. Não haviam defensores ali, só os rebelados. O muro foi caindo, aos poucos, destruído por milhões de moradores enfurecidos com a falta de liberdade no país.
Eles sabiam que estavam mudando o curso da História, mas pouco se importavam. Eles apenas queriam ter liberdade, apenas serem livres. Não queriam mais ser obrigados a ficar calados, nem a ficar sem comida ou salário. Eles batalhariam, mas agora livres, e não dependentes do Governo.
Ao anoitecer, os três homens voltaram para casa segurando um pedaço do que fora o muro, e o quebraram no chão, até ficarem em pó. Viam muitos repórteres entrevistando algum morador ou moradora e todos sorrindo pulando.
Alfonso voltara para casa, sabendo que sua vida iria mudar, mas mudar para melhor. Iria com os filhos o quanto antes para a parte capitalista da Alemanha, fugir daquilo, apenas fugir. Ele não seria explorado novamente e viveriam, talvez, uma vida digna e justa. Ele iria poderia trabalhar para se sustentar, poderia ter um pouco de descanso em relação a crises. Enfim, poderia muito.
Mas, o melhor de tudo, era que agora, não estaria mais calado.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
As Diferenças Como Elas São
Diferenças e diferenças
Oque fazem neste mundo?
Não importam as crenças
Temos que aceitar as diferenças
Oque fazem neste mundo?
Não importam as crenças
Temos que aceitar as diferenças
Gordo ou magro
Alto ou baixo
Menino ou menina
Tanto faz, falta de respeito, não mais
Pensando e refletindo
Os pecados vão sumindo
Num mundo de diferenças
É bom a convivência
O mundo é feito de diferenças
E com elas temos que aprender
Pensemos nas pessoas diferentes
Que, por causa do preconceito, vivem a sofrer
#RedaçãoEscolar Autores: Matheus Rocha, Augusto Borges e Lucas Henrique
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Um Toque de Magia
Ligou o gramofone devagar e escolheu um disco com o som baixo. O avô dormia calmo, no andar de cima, e a acompanhante estava lendo ao lado dele. A garota escutou a música clássica que tanto amava enquanto tirou um livro da estante poeirenta da casa de seu ancestral. Caminhou com pequenos pulos no ritmo da música com o livro no braço, indo para o sofá já velho. Alisou o vestido cinza e abriu o livro, abriu a porta para a imaginação.
Amelie sempre gostara de livros e tudo o que se relacionava com a antiguidade, amava as batalhas históricas, lutas de espada, liças e mais liças, livros e mais livros. Amava a arquitetura gótica do feudalismo e amava fingir ser uma senhora feudal. Amava a dança e a música clássica, fazendo piruetas, saltos e mais saltos, músicas e mais músicas. Era uma garota diferente, porque tinha uma vida diferente.
Ela ficou ali, no sofá, com seu livro, por alguns minutos até que seu avô acordasse. Ela o amava com todas as forças, até porque era necessário ter força. Subiu as escadas de madeira passando a mão pelo corrimão cheio de poeira. O vestido flutuava enquanto subia apressada. Virou no corredor e abriu a porta do quarto onde o avô a pouco dormia.
Era um quarto grande, com poucas cores, mas muito aconchegante. A cama ocupava o meio do aposento e uma grande estante dividia a parede oposta com uma lareira. A escrivaninha que Amelie usava para escrever poemas era junto da cama e a poltrona da garota que acompanhava seu avô fora colocada ali depois do acidente. O velho homem estava sentado na beira da cama e os olhos da acompanhante haviam deixado o livro para prestar atenção no velho.
Amelie entrou no quarto, com seu vestido a voar, e sorriu para a mulher que ajudava, depois sentou-se ao lado do senhor.
“Vô? Tá tudo bem?” perguntou, docemente.
O homem levantou.
“Vamos, Jullie, vamos! Temos que achar, temos que achar!” respondeu, gritando.
Não era a primeira vez que ele a confundia com a avó e nem seria a última. O velho percorreu o quarto, andando em círculos, abrindo gavetas e armários enquanto Amelie e a outra mulher tentavam o acalmar.
Quando era pequena, Amelie fora viajar com seus pais e sua avó. A viagem terminou em tragédia: o carro havia caído num lago e sua avó a salvou da morte, mas não salvou os pais dela nem se salvou. O avô tivera que cuidar da pequena criança avoada, e o fez com esplendor. Levava a garotinha para parques, a ensinava a jogar xadrez e jogos antigos, a educara como uma dama, falava de sua esposa e os pais da garota, ensinava coisas sobre nuvens e sobre a água. A garota o amava com todas as suas forças. Ele sempre enchera aquela casa velha com sua animação. Até que a doença do mal de Alzheimer foi dando sua cara.
No começo fora mais difícil, sempre que ele surtava. Amelie não sabia o que fazer e ficava chorando trancada em seu quarto, enquanto ele quebrava coisas ou gritava para o além sobre sua Jullie. Esquecia quem era Amelie e quando a via rindo ou fazendo outra coisa alegre, se convencia que uma louca havia invadido sua casa. Já tentou atirar com sua espingarda numa caixa de brinquedo, dizendo que havia um assassino ali, mas só tinha um palhaço de plástico. A espingarda fora tirada das mãos do homem e trancadas num cofre da casa. A vida de Amelie deveria ter ficado negra, mas ela esforçava-se para lembrar dos dias coloridos que tivera com o homem. Sempre subia as escadas de madeira e tentava acalma-lo.
“Jullie, achamos! Achamos, Jullie!” gritou, eufórico segurando uma lâmpada que ainda brilhava. “Queima!” falou, antes de jogar a luz no chão.
A luz do quarto apagou e tudo o que Amelie queria era sentir o seu avô a abraçando e ouvi-lo falar que tudo ia ficar bem. Queria que ele falasse que tudo o que acontecera era uma brincadeira, apenas uma brincadeira. Que seus pais não haviam morrido, que ele nunca tivera Alzheimer. Queria ouvi-lo falar de nuvens, de física e matemática, de mágicas, muitas mágicas. Toques de mágica. Queria ouvi-lo falar sobre o escambo e a História. Queria ouvi-lo falar que a entendia.
Amelie apenas sussurrou o quanto amava o avô, enquanto recolhia os cacos da lâmpada, para depois colocar o avô para dormir.
-Para: Nina (:
Amelie sempre gostara de livros e tudo o que se relacionava com a antiguidade, amava as batalhas históricas, lutas de espada, liças e mais liças, livros e mais livros. Amava a arquitetura gótica do feudalismo e amava fingir ser uma senhora feudal. Amava a dança e a música clássica, fazendo piruetas, saltos e mais saltos, músicas e mais músicas. Era uma garota diferente, porque tinha uma vida diferente.
Ela ficou ali, no sofá, com seu livro, por alguns minutos até que seu avô acordasse. Ela o amava com todas as forças, até porque era necessário ter força. Subiu as escadas de madeira passando a mão pelo corrimão cheio de poeira. O vestido flutuava enquanto subia apressada. Virou no corredor e abriu a porta do quarto onde o avô a pouco dormia.
Era um quarto grande, com poucas cores, mas muito aconchegante. A cama ocupava o meio do aposento e uma grande estante dividia a parede oposta com uma lareira. A escrivaninha que Amelie usava para escrever poemas era junto da cama e a poltrona da garota que acompanhava seu avô fora colocada ali depois do acidente. O velho homem estava sentado na beira da cama e os olhos da acompanhante haviam deixado o livro para prestar atenção no velho.
Amelie entrou no quarto, com seu vestido a voar, e sorriu para a mulher que ajudava, depois sentou-se ao lado do senhor.
“Vô? Tá tudo bem?” perguntou, docemente.
O homem levantou.
“Vamos, Jullie, vamos! Temos que achar, temos que achar!” respondeu, gritando.
Não era a primeira vez que ele a confundia com a avó e nem seria a última. O velho percorreu o quarto, andando em círculos, abrindo gavetas e armários enquanto Amelie e a outra mulher tentavam o acalmar.
Quando era pequena, Amelie fora viajar com seus pais e sua avó. A viagem terminou em tragédia: o carro havia caído num lago e sua avó a salvou da morte, mas não salvou os pais dela nem se salvou. O avô tivera que cuidar da pequena criança avoada, e o fez com esplendor. Levava a garotinha para parques, a ensinava a jogar xadrez e jogos antigos, a educara como uma dama, falava de sua esposa e os pais da garota, ensinava coisas sobre nuvens e sobre a água. A garota o amava com todas as suas forças. Ele sempre enchera aquela casa velha com sua animação. Até que a doença do mal de Alzheimer foi dando sua cara.
No começo fora mais difícil, sempre que ele surtava. Amelie não sabia o que fazer e ficava chorando trancada em seu quarto, enquanto ele quebrava coisas ou gritava para o além sobre sua Jullie. Esquecia quem era Amelie e quando a via rindo ou fazendo outra coisa alegre, se convencia que uma louca havia invadido sua casa. Já tentou atirar com sua espingarda numa caixa de brinquedo, dizendo que havia um assassino ali, mas só tinha um palhaço de plástico. A espingarda fora tirada das mãos do homem e trancadas num cofre da casa. A vida de Amelie deveria ter ficado negra, mas ela esforçava-se para lembrar dos dias coloridos que tivera com o homem. Sempre subia as escadas de madeira e tentava acalma-lo.
“Jullie, achamos! Achamos, Jullie!” gritou, eufórico segurando uma lâmpada que ainda brilhava. “Queima!” falou, antes de jogar a luz no chão.
A luz do quarto apagou e tudo o que Amelie queria era sentir o seu avô a abraçando e ouvi-lo falar que tudo ia ficar bem. Queria que ele falasse que tudo o que acontecera era uma brincadeira, apenas uma brincadeira. Que seus pais não haviam morrido, que ele nunca tivera Alzheimer. Queria ouvi-lo falar de nuvens, de física e matemática, de mágicas, muitas mágicas. Toques de mágica. Queria ouvi-lo falar sobre o escambo e a História. Queria ouvi-lo falar que a entendia.
Amelie apenas sussurrou o quanto amava o avô, enquanto recolhia os cacos da lâmpada, para depois colocar o avô para dormir.
-Para: Nina (:
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Um Velho Amigo Zelador
...Mas não, não podia desistir.
Já haviam passado dois meses desde que Dom tentara se apresentar a sorridente dona da biblioteca. O homem desconhecido revelou-se ninguém importante na vida de Jhoenne. Ela não usava aliança e o homem nunca vinha visita-la. Dom agora tinha receio, mas a coragem ainda estava armazenada em seu interior.
Disseram para ele que, no mesmo setor de Jhoenne, encontraram dois ratos vagueando pelo banheiro. Dom fora dedetizar, com mais dois ajudantes. Os garotos eram jovens e podiam se abaixar bruscamente, se esticar em cantos mais altos, coisas que o velho não conseguia fazer. Terminara o serviço depois de um longo tempo, pois descobriu que, em vez do banheiro masculino, os ratos estavam no feminino. Quando saíram do longo corredor que levava ao setor, não encontraram uma alma viva perambulando pelo centro comercial. Encontraram o setor vazio, com os gerentes e donos de lojas organizando suas coisas e se encaminhando para a casa de cada um. Não tinha chance de Jhoenne estar na biblioteca, pois ela sempre, sempre saía cedo.
Largou o carrinho de limpezas ao lado da porta de funcionários e caminhou em direção à porta de saída, que ficava do outro lado do salão-que-refletia. Olhou para as lojas, quase todas com as luzes desligadas e encontrou uma floricultura e uma biblioteca ainda com as luzes ligadas. Tentou ajeitar sua postura, que era um tanto curva, e mexeu em seus bolsos, agora com outro caminho em mente. Encontrou no fundo de um de seus bolsos algumas notas de dinheiro e suas pernas apressaram-se eufóricas, com o calor que enchia o coração do zelador.
A lojinha de flores era pequena, mas um tanto maior que a biblioteca de Jhoenne. Flores enchiam todas as prateleiras, com cores desde o branco até o preto, desde o plástico até a realidade, desde as belas pétalas até o exuberante cheiro que exalavam. A loja era pintada em branco e verde, e um pequeno lustre floral no teto iluminava todo o local. A lojista era um ruiva, adulta, com sardas numerosas enfeitando o rosto. Os olhos verdes apreciavam um copo-de-leite com admiração, quando o velho Dom se aproximou, com seu jeito desajeitado de ser.
“Não sei se eu posso... Nessa hora, ou com esse dinheiro... Mas... Vim com todo meu coração aqui para comprar uma de suas flores. A mais bela que tiver” mostrou o dinheiro e falou o velho, com receio de negação direta.
A florista levantou a cabeça lentamente com um sorriso carinhoso, lançou um olhar aconchegante e saiu do balcão, passando por prateleiras e prateleiras. Voltou com uma única flor, com pétalas azuis e sem espinhos, o cheiro dela era um perfume suave que enchia as narinas de Dom. O velho encolheu os ombros, com tristeza.
“Essa flor vale muito mais do que eu tenho, tem certeza que não tem uma que eu consiga comprar?” cabisbaixo, Dom mostrou novamente o quanto tinha, balançando com fraqueza a mão com o punhado de cédulas na frente da florista.
“Com certeza ela vale muito mais do que você tem. Eu consigo ver você, sabia, Dom? Fale com a Jhoenne, por favor.” Sorrindo, a florista entregou a flor a Dom, que a aceitou com a testa franzida. A flor era delicada, suave e um tanto úmida, assim como sua Jhoenne.
“Eu pagarei, com o dinheiro de meu trabalho, lhe pagarei.” prometeu o velho, deixando o dinheiro em cima do balcão e saindo da loja apressadamente, para encontrar sua Jhoenne, na loja do lado.
Atravessou a porta de vidro com alguns enfeites florais e virou a direita para entrar na biblioteca. Deu de cara com a dona do local e, por pouco, não se esbarraram.
“Oh! Senhor, o centro já está fechando.” ajeitando a bolsa em seu ombro e olhando para a flor que Dom segurava com força, falou Jhoenne.
Dom trocou o pé de apoio e estendeu a planta azulada. Pensara nesse momento trinta e seis anos de sua vida. Jhoenne olhou assustada para o velho zelador que tentava a conquistar.
“Faz anos... F-faz anos que eu trabalho aqui, desde quando você era jovem e essa biblioteca era tão famosa quanto esse próprio centro.” Começou a falar, com lágrimas nos olhos, o velho homem. “Sempre a observei e cultivei algum tipo de amor dentro de mim. Você sempre foi linda e eu sempre apaixonado. Tinha medo que alguém a tomasse... A tomasse de minha imaginação infinita. Tinha medo que tirassem você de mim.” Jhoenne olhava agora com a mão na boca, com seus lindos cabelos grisalhos atrás da orelha. “Sou um pobre zelador, mas meu coração não aguenta mais ficar longe de você. Eu não aguento mais ficar longe de você. Eu amo você e amo sua biblioteca, amo seus cabelos e os seus livros históricos. Amo o seu balcão, amo as sinetas de sua porta, amo o tapete poeirento da biblioteca, amo suas orelhas e seus olhos. Eu amo você e especialmente você.”
Jhoenne deixou a bolsa cair até o seu antebraço, pois seus braços agora estavam caídos, em surpresa. Estendeu a velha mão e pegou a flor. Olhou no fundo dos olhos de Dom e se pronunciou.
“Eu também te observo, Dom. Eu também te amo.”
-Para: C. (:
Já haviam passado dois meses desde que Dom tentara se apresentar a sorridente dona da biblioteca. O homem desconhecido revelou-se ninguém importante na vida de Jhoenne. Ela não usava aliança e o homem nunca vinha visita-la. Dom agora tinha receio, mas a coragem ainda estava armazenada em seu interior.
Disseram para ele que, no mesmo setor de Jhoenne, encontraram dois ratos vagueando pelo banheiro. Dom fora dedetizar, com mais dois ajudantes. Os garotos eram jovens e podiam se abaixar bruscamente, se esticar em cantos mais altos, coisas que o velho não conseguia fazer. Terminara o serviço depois de um longo tempo, pois descobriu que, em vez do banheiro masculino, os ratos estavam no feminino. Quando saíram do longo corredor que levava ao setor, não encontraram uma alma viva perambulando pelo centro comercial. Encontraram o setor vazio, com os gerentes e donos de lojas organizando suas coisas e se encaminhando para a casa de cada um. Não tinha chance de Jhoenne estar na biblioteca, pois ela sempre, sempre saía cedo.
Largou o carrinho de limpezas ao lado da porta de funcionários e caminhou em direção à porta de saída, que ficava do outro lado do salão-que-refletia. Olhou para as lojas, quase todas com as luzes desligadas e encontrou uma floricultura e uma biblioteca ainda com as luzes ligadas. Tentou ajeitar sua postura, que era um tanto curva, e mexeu em seus bolsos, agora com outro caminho em mente. Encontrou no fundo de um de seus bolsos algumas notas de dinheiro e suas pernas apressaram-se eufóricas, com o calor que enchia o coração do zelador.
A lojinha de flores era pequena, mas um tanto maior que a biblioteca de Jhoenne. Flores enchiam todas as prateleiras, com cores desde o branco até o preto, desde o plástico até a realidade, desde as belas pétalas até o exuberante cheiro que exalavam. A loja era pintada em branco e verde, e um pequeno lustre floral no teto iluminava todo o local. A lojista era um ruiva, adulta, com sardas numerosas enfeitando o rosto. Os olhos verdes apreciavam um copo-de-leite com admiração, quando o velho Dom se aproximou, com seu jeito desajeitado de ser.
“Não sei se eu posso... Nessa hora, ou com esse dinheiro... Mas... Vim com todo meu coração aqui para comprar uma de suas flores. A mais bela que tiver” mostrou o dinheiro e falou o velho, com receio de negação direta.
A florista levantou a cabeça lentamente com um sorriso carinhoso, lançou um olhar aconchegante e saiu do balcão, passando por prateleiras e prateleiras. Voltou com uma única flor, com pétalas azuis e sem espinhos, o cheiro dela era um perfume suave que enchia as narinas de Dom. O velho encolheu os ombros, com tristeza.
“Essa flor vale muito mais do que eu tenho, tem certeza que não tem uma que eu consiga comprar?” cabisbaixo, Dom mostrou novamente o quanto tinha, balançando com fraqueza a mão com o punhado de cédulas na frente da florista.
“Com certeza ela vale muito mais do que você tem. Eu consigo ver você, sabia, Dom? Fale com a Jhoenne, por favor.” Sorrindo, a florista entregou a flor a Dom, que a aceitou com a testa franzida. A flor era delicada, suave e um tanto úmida, assim como sua Jhoenne.
“Eu pagarei, com o dinheiro de meu trabalho, lhe pagarei.” prometeu o velho, deixando o dinheiro em cima do balcão e saindo da loja apressadamente, para encontrar sua Jhoenne, na loja do lado.
Atravessou a porta de vidro com alguns enfeites florais e virou a direita para entrar na biblioteca. Deu de cara com a dona do local e, por pouco, não se esbarraram.
“Oh! Senhor, o centro já está fechando.” ajeitando a bolsa em seu ombro e olhando para a flor que Dom segurava com força, falou Jhoenne.
Dom trocou o pé de apoio e estendeu a planta azulada. Pensara nesse momento trinta e seis anos de sua vida. Jhoenne olhou assustada para o velho zelador que tentava a conquistar.
“Faz anos... F-faz anos que eu trabalho aqui, desde quando você era jovem e essa biblioteca era tão famosa quanto esse próprio centro.” Começou a falar, com lágrimas nos olhos, o velho homem. “Sempre a observei e cultivei algum tipo de amor dentro de mim. Você sempre foi linda e eu sempre apaixonado. Tinha medo que alguém a tomasse... A tomasse de minha imaginação infinita. Tinha medo que tirassem você de mim.” Jhoenne olhava agora com a mão na boca, com seus lindos cabelos grisalhos atrás da orelha. “Sou um pobre zelador, mas meu coração não aguenta mais ficar longe de você. Eu não aguento mais ficar longe de você. Eu amo você e amo sua biblioteca, amo seus cabelos e os seus livros históricos. Amo o seu balcão, amo as sinetas de sua porta, amo o tapete poeirento da biblioteca, amo suas orelhas e seus olhos. Eu amo você e especialmente você.”
Jhoenne deixou a bolsa cair até o seu antebraço, pois seus braços agora estavam caídos, em surpresa. Estendeu a velha mão e pegou a flor. Olhou no fundo dos olhos de Dom e se pronunciou.
“Eu também te observo, Dom. Eu também te amo.”
-Para: C. (:
Crítica: A Mulher de Preto
O filme A Mulher de Preto foi o filme escolhido para essa crítica. A Mulher de Preto, filme de James Watkins, é a história de suspense do advogado e pai Arthur Kipps (Daniel Radcliffe), um londrino, que vai até a pequena vila de Crythin Gifford para tratar de assuntos do escritório sobre o antigo dono, que recentemente havia falecido, da Casa Eel Marsh. Em dias que Arthur passava a trabalhar na mansão, via uma mulher toda vestida de preto, e assim, foi aos poucos desvendando o mistério daquela cidade.
O filme, em sua história, é razoavelmente bom. Tem o clima que todo filme de suspense necessita, a luz fraca e assombreada, barulhos estranhos e fantasmas perturbadores. Não há dúvidas que Daniel fez uma boa atuação, porém o filme tem suas falhas, pelo menos a meu ver.
O filho de Arthur, Joseph (Misha Handley), é deixado com a babá (Lucy May Barker), que em todo o filme é uma personagem invisível e não é dada atenção suficiente a ela, principalmente no fim do filme.
O que mais me indignou foram os gritos que a Mulher de Preto produzia, que, devido ao casaco no meu olho, não me assustava. Me lembrou bastante de O Exorcista, o que me fez vir aqui criticar. A Mulher de Preto assombrava enquanto não aparecia, pois, quando a via, me vinha uma vontade de rir. Os bonecos de dar corda do quarto de seu filho eram bastante assustadores, mas do mesmo jeito hilários.
Toda a vila se resume a três cenários: Uma rua, onde Arthur vira os pais tentando proteger suas crianças, a rua do escritório e o caminho que levava até a Casa do Pântano. Talvez o filme que eu assistira, por ser dublado, tenha sido pior que o legendado. Por algum motivo, colocaram a voz de Harry Potter no Radcliffe novamente, lembrando-nos do adolescente bruxo que ele atuava e isso não evoluiu nada a longa.
O final deixa o interlocutor bastante confuso e nada menos do que frustrado, pois, sem um sentido óbvio, não se conta o que aconteceu depois. Nem o que aconteceu com a Lucy Barker, nem se a Mulher de Preto parou com sua matança, nem como o Mr. Daily (Ciarán Hinds) acabou na história.
Mesmo com essas observações, A Mulher de Preto é um filme que assustara minha tarde sem dúvidas.
O filme, em sua história, é razoavelmente bom. Tem o clima que todo filme de suspense necessita, a luz fraca e assombreada, barulhos estranhos e fantasmas perturbadores. Não há dúvidas que Daniel fez uma boa atuação, porém o filme tem suas falhas, pelo menos a meu ver.
O filho de Arthur, Joseph (Misha Handley), é deixado com a babá (Lucy May Barker), que em todo o filme é uma personagem invisível e não é dada atenção suficiente a ela, principalmente no fim do filme.
O que mais me indignou foram os gritos que a Mulher de Preto produzia, que, devido ao casaco no meu olho, não me assustava. Me lembrou bastante de O Exorcista, o que me fez vir aqui criticar. A Mulher de Preto assombrava enquanto não aparecia, pois, quando a via, me vinha uma vontade de rir. Os bonecos de dar corda do quarto de seu filho eram bastante assustadores, mas do mesmo jeito hilários.
Toda a vila se resume a três cenários: Uma rua, onde Arthur vira os pais tentando proteger suas crianças, a rua do escritório e o caminho que levava até a Casa do Pântano. Talvez o filme que eu assistira, por ser dublado, tenha sido pior que o legendado. Por algum motivo, colocaram a voz de Harry Potter no Radcliffe novamente, lembrando-nos do adolescente bruxo que ele atuava e isso não evoluiu nada a longa.
O final deixa o interlocutor bastante confuso e nada menos do que frustrado, pois, sem um sentido óbvio, não se conta o que aconteceu depois. Nem o que aconteceu com a Lucy Barker, nem se a Mulher de Preto parou com sua matança, nem como o Mr. Daily (Ciarán Hinds) acabou na história.
Mesmo com essas observações, A Mulher de Preto é um filme que assustara minha tarde sem dúvidas.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Tudo o Que Ele Queria
Tudo o que ele queria era que as pessoas o entendessem, o achassem legal, gostassem dele.
Sua família era dividida, dois mundos entre uma e outra. Os pais eram separados e vivia com sua mãe, que sempre o educara normalmente. Era o filho mais novo e, sendo assim, dizia-se que era o mais adorado. Isso não era verdade. A maior parte da família idolatrava o filho mais velho como um crente idolatra seu deus. O pai não lhe dava mais do que a atenção necessária e sempre que ele tentava fazer algum esporte e desistia logo depois, ouvia muito a expressão “mais perda de dinheiro”. O mundo não era mais aquela felicidade, como antes. Chorava raramente, mas chorava. Pensava em tudo, pois ele tentava reprimir a raiva, mas acabava guardando-a. Era nervoso, mas muito inteligente. O seu coração vivia apertado e sua cabeça sempre em algo que tinha esquecido ou no quão a vida era inútil. Afinal, a vida era inútil. Você a vivia vivamente até que morria sem mais nem menos. Ele não gostava da vida, mas tinha que vive-la. Levantou a cabeça para o mundo, ocultando-se novamente com sua máscara irônica e andou, para viver a vida e quem sabe em um dia, morrer sem mais nem menos.
Sua família era dividida, dois mundos entre uma e outra. Os pais eram separados e vivia com sua mãe, que sempre o educara normalmente. Era o filho mais novo e, sendo assim, dizia-se que era o mais adorado. Isso não era verdade. A maior parte da família idolatrava o filho mais velho como um crente idolatra seu deus. O pai não lhe dava mais do que a atenção necessária e sempre que ele tentava fazer algum esporte e desistia logo depois, ouvia muito a expressão “mais perda de dinheiro”. O mundo não era mais aquela felicidade, como antes. Chorava raramente, mas chorava. Pensava em tudo, pois ele tentava reprimir a raiva, mas acabava guardando-a. Era nervoso, mas muito inteligente. O seu coração vivia apertado e sua cabeça sempre em algo que tinha esquecido ou no quão a vida era inútil. Afinal, a vida era inútil. Você a vivia vivamente até que morria sem mais nem menos. Ele não gostava da vida, mas tinha que vive-la. Levantou a cabeça para o mundo, ocultando-se novamente com sua máscara irônica e andou, para viver a vida e quem sabe em um dia, morrer sem mais nem menos.
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