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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Era uma bomba.

 Uma bomba explodiu em cima de mim sem avisar quando ia chegar.
 Estávamos em guerra e todos tinham que ir a guerra, ou pelo menos eu fui. Meus pais e minha família se separaram de mim e eu peguei em uma metralhadora pela primeira vez. Quando entramos em campo de batalha, meu parceiro e eu nos destacamos pela ferocidade, passando arrasadoramente pela tropa inimiga. De noite, todos os soldados que se destacaram ganharam uma medalha, fui um deles. Mas na manhã já era guerra de novo e dessa vez foi mais pesado. Meu parceiro morreu com um tiro na barriga em que não foi possível a cura. Mas nós ganhamos sim. De noite: mais guerra. Não parávamos de lutar. O barulho de tiros era meu vizinho e os de bomba meus parentes. Mas nós ganhávamos todas as guerras, noite e dia, dia e noite. Meu capitão morreu, meu cavalo morreu, milhares de soldados morreram, milhares de cavalos morreram e o coelhinho que passava no campo quando a guerra começou também morreu, mas nós sempre ganhávamos.
 Até que uma bomba explodiu em cima de mim sem avisar quando ia chegar.

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